O que está acontecendo sob a copa das árvores da Amazônia?

14/02/2017

A atividade humana reduz a biodiversidade da Amazônia. Alguns estudos, como um artigo publicado na revista Nature em julho, apontam inclusive perdas próximas – ou superiores – à metade das espécies nas áreas onde a cobertura florestal foi reduzida em 20%. Mas, até que ponto esses resultados são precisos? Um projeto internacional procura responder à pergunta, pelo menos no que diz respeito ao conhecimento da fauna. Para conseguir isso, os pesquisadores que estão por trás da iniciativa instalarão uma rede de sensores na reserva natural de Mamirauá (Estado do Amazonas).

Para os responsáveis pela iniciativa, chamada Providence, as ferramentas utilizadas até agora têm sérias limitações. A exploração com drones ou satélites permite conhecer exaustivamente o estado da cobertura florestal e saber, por exemplo, se uma área de floresta está sofrendo os estragos do desmatamento. No entanto, tudo o que acontece abaixo da copa das árvores escapa ao seu olhar. E, apesar de que as observações de campo permitem obter informações detalhadas sobre o estado da fauna, estas exigem que cientistas trabalhem em um ponto da floresta. Um método caro por causa dos investimentos necessários para realizar uma expedição e pelo risco que implica para os próprios cientistas. Além disso, tais estudos só permitem conhecer a situação de uma determinada porção da massa florestal.

Para preencher a lacuna, os pesquisadores instalarão uma rede de sensores em diferentes pontos da reserva natural de Mamirauá, na região da Amazônia central. Cada um dos nós da rede terá microfones e câmeras, permitindo captar automaticamente imagens e sons de animais que vivem na área. Os dados coletados serão transmitidos via satélite em tempo real para que pesquisadores de todo o mundo possam aproveitá-los. A ideia é ter um método para coletar informações sobre o que acontece com a fauna no interior da floresta de forma contínua, ampliando ao máximo a área de estudo. Tudo isso reduz ao mínimo a presença humana e os custos decorrentes de colocá-la no terreno. Participam desse esforço cientistas do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá; do Laboratório de Aplicações Bioacústicas da Universidade Politécnica da Catalunha (UPC), através da Fundação Sense of Silence, o centro de pesquisa australiano CSIRO e da Universidade Federal do Amazonas.

EL PAÍS | BR | Tecnologia

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