Novo “pico” no desmatamento

10/06/2014

Sem alterações nas políticas de desenvolvimento para a região, o efeito sobre o desmatamento das medidas anunciadas pelo presidente Fernando Henrique, em 1996, foi curto: após nova queda na área desmatada entre 1996-1997, a curva voltou a subir de forma persistente, ultrapassando mais uma vez a barreira dos 20 mil km2 em 2001, 2002 e 2003.

Nesse período, vários estudos constataram que a expansão da pecuária bovina, e não da sojicultura, havia se convertido no principal vetor de desmatamento ilegal na região. Com o avanço da fronteira agropecuária, a exploração madeireira ilegal e a grilagem de terras públicas se associaram, tornando a especulação fundiária um negócio altamente lucrativo na Amazônia.

Ao mesmo tempo, prosseguiu a política de transferência de colonos para a região, iniciada nas décadas anteriores, aumentando a pressão sobre a cobertura florestal. Assim, vastas áreas de florestas conservadas, antes habitadas apenas por populações indígenas e tradicionais – como a chamada Terra do Meio, no sudeste do Pará – foram aos poucos se convertendo em extensas fazendas, de baixíssima produtividade. Em apenas uma década, cidades da região, como São Félix do Xingu, passaram a contar com os maiores rebanhos do país.

O contínuo crescimento do desmatamento culminou nos 27,7 mil km2 registrados em 2004, a segunda taxa mais elevada de toda a história. Crivado de críticas pela falta de ação diante das evidências de que o desmatamento fugia ao controle, o governo do presidente Lula mobilizou mais de uma dezena de ministérios em torno da missão de formular um programa abrangente para  enfrentar o problema. Sob a gestão da então ministra do Meio Ambiente Marina Silva, surgiu o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, o PPCDAm.