O desmatamento fora de controle

10/06/2014

Entre o final dos anos 1980 e os anos 1990, as elevadas taxas de desmatamento e as denúncias de violência contra a população amazônica levou os bancos internacionais a suspenderem financiamentos para projetos de infraestrutura na região. Ao mesmo tempo, a redemocratização do país possibilitou que propostas alternativas ao modelo iniciado pelos militares fossem formulados, muitos dos quais no âmbito da sociedade civil.

Desmatamento fora de controle
   Foto: Leonardo F. Freitas

O incremento no consenso sobre a influência humana nas mudanças climáticas globais abriu um novo canal de críticas à incapacidade do governo brasileiro em conter o desmatamento, já que mais de dois terços das emissões brasileiras de gases de efeito estufa resultavam do corte de florestas, sobretudo na Amazônia.

Nesse contexto surgiu o Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PP-G7), uma iniciativa apoiada por países que integravam o Grupo dos Sete (G7). Uma ampla carteira de projetos foi apoiada ao longo de duas décadas (1992-2012) com o intuito conter o desmatamento e fomentar condições para uma economia sustentável na Amazônia. Apesar de sua contribuição para estruturar políticas sustentáveis, esses projetos foram executados predominantemente à margem das demais políticas para a região.

Em 1995, a maior taxa da história

O crescimento da demanda internacional por commodities agrícolas e por minérios impulsionou, nos anos 1990, o avanço da fronteira agropecuária ao longo das estradas abertas nas décadas anteriores, caso da BR-163 (Cuiabá-Santarém), consolidando aos poucos a importância econômica desse setor no cenário regional.

Assim, no início do primeiro mandato de FHC foi anunciada a explosiva taxa de 29 mil km2 de florestas derrubadas, a maior de toda a série histórica registrada pelo Prodes até hoje. Um novo pacote de medidas foi anunciado pelo governo federal – entre as quais, a alteração no Código Florestal (Lei 4.771/65), que elevou a reserva legal de 50% para 80% das propriedades situadas na área coberta pela floresta amazônica. O desmatamento recuou nos três anos seguintes, mantendo-se, no entanto, em patamares ainda muito elevados.