Rebanho bovino é principal causa do desmatamento

10/06/2014

Ao longo da última década, a expansão da pecuária bovina se transformou na principal causa do desmatamento na Amazônia. Segundo um levantamento da organização Amigos da Terra-Amazônia Brasileira publicado em 2008, entre dezembro de 2003 e dezembro de 2006, 96%  do crescimento do rebanho de bovinos no país, equivalente a 10 milhões de cabeças, ocorreu na Amazônia Legal.

Rebanho bovino
   Foto: Ana Cotta

Estima-se que, entre 1990 e 2006, o rebanho bovino na região tenha crescido quase três vezes, passando de 26,6 milhões para 74 milhões de cabeças, com uma taxa média de crescimento anual dez vezes maior que no restante do país. Segundo o IBGE, em 2003 Mato Grosso e Pará detinham juntos 59% do rebanho bovino na Amazônia – não por acaso, os dois estados responsáveis por cerca de 68% da taxa de desmatamento acumulada entre 1988 e 2013, segundo o Prodes.

Dados do TerraClass – um projeto executado pela Embrapa e INPE visando mapear e classificar os usos das áreas desmatadas na Amazônia Legal – indicam que 66% da área desmatada até 2009 estavam ocupadas por pastagens, confirmando a prevalência da pecuária sobre outras atividades econômicas no processo de desmatamento.

Uma cadeia de ilegalidades

O crescimento do rebanho bovino na região tem sido interpretado como decorrência da ocupação de terras nas demais partes do país por culturas mais rentáveis, como grãos. Empurrada para a Amazônia, a pecuária encontrou terreno fértil para se tornar lucrativa.

A farta disponibilidade de terras, inclusive públicas, e a incipiente aplicação da legislação florestal favoreceram o acúmulo inicial de capital provenientes da exploração ilegal de madeiras nas áreas ocupadas. A expansão dos rebanhos contou ainda com financiamentos públicos vantajosos dos fundos constitucionais destinados à região, concedidos inclusive a empreendimentos situados em terras griladas ou ilegalmente desmatadas.

A lista de ilegalidades associadas à pecuária na região é mais ampla. Segundo o citado levantamento da Amigos da Terra, em 2007 menos da metade dos frigoríficos da região possuía registro no SIF. Em janeiro daquele ano, 62% dos empreendimentos da “lista suja” do Ministério do Trabalho integravam a cadeia da pecuária na Amazônia e 73% da carne exportada por frigoríficos da região haviam sido adquiridos de fazendas denunciadas por trabalho escravo entre 2006 e 2007.