Terras sob suspeita somam uma Bolívia

10/06/2014

Uma estimativa feita pelo governo federal em 1999 da área de terras públicas federais grilada no país concluiu que ao menos 1 milhão de km2 – área equivalente ao território da Bolívia – tinham documentação suspeita. Após uma investigação, em julho de 2000, foram cancelados os registros equivalentes a 620 mil km2, 54% dos quais situados na Amazônia.

Esquemas de titulação fraudulenta de terras públicas na Amazônia envolvem cartórios, advogados e funcionários de órgãos responsáveis pela política fundiária. Várias operações de desmantelamento de quadrilhas especializadas em grilagem foram empreendidas ao longo do PPCDAm – como a de dezembro de 2004, quando a Polícia Federal prendeu 18 pessoas, 11 delas funcionários do Incra em Santarém (Pará), incluindo seu superintendente regional.

Estudos recentes postulam que boa parte da atual produção agropecuária da Amazônia provém de terras griladas. O município de São Felix do Xingu, no sul do Pará, que detém atualmente o maior rebanho bovino do país e, ao mesmo tempo, faz parte da lista oficial de municípios com elevados índices de desmatamento na região, é um exemplo.

Segundo um estudo do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Ipam), esquemas ali financiados por empresas madeireiras para extrair ilegalmente matéria-prima de terras públicas – incluindo assentamento rurais e terras indígenas – possibilitaram grilar terras que, posteriormente, foram destinadas à criação de gado bovino.